Compositor: Silvio Rodriguez
Se eu não acreditasse na loucura
Da garganta do sabiá
Se eu não acreditasse que na montanha
Se esconde a trindade e o medo
Se eu não acreditasse na balança
Na razão do equilíbrio
Se eu não acreditasse no delírio
Se eu não acreditasse na esperança
Se eu não acreditasse no que organizo
Se eu não acreditasse no meu caminho
Se eu não acreditasse no meu barulho
Se você não acreditou no meu silêncio
O que seria?
O que seria da marreta sem a pedra?
Um embolado feito de cordas e tendões
Uma mistura de carne com madeira
Um instrumento sem melhores resplendores
Do que luzinhas montadas para a cena
O que seria, coração, o que seria?
O que seria da marreta sem a pedra?
Um capanga do traidor dos aplausos
Um empregado do passado numa taça nova
Um eternizador dos deuses do acaso
Alegria fervida com pano e lantejoula
O que seria, coração, o que seria?
O que seria da marreta sem a pedra?
O que seria, coração, o que seria?
O que seria da marreta sem a pedra?
Se eu não acreditasse no mais difícil
Se eu não acreditasse no desejo
Se eu não acreditasse no que acredito
Se eu não acreditasse em algo puro
Se eu não acreditasse em cada ferida
Se eu não acreditasse naquele que estava por perto
Se eu não acreditasse no que esconde
Tornar-se um irmão da vida
Se eu não acreditasse em quem me ouve
Se eu não acreditasse no que dói
Se eu não acreditasse no que restou
Se eu não acreditasse nos que lutam
O que seria?
O que seria da marreta sem a pedra?
Um embolado feito de cordas e tendões
Uma mistura de carne com madeira
Um instrumento sem melhores resplendores
Do que luzinhas montadas para a cena
O que seria, coração, o que seria?
O que seria da marreta sem a pedra?
Um capanga do traidor dos aplausos
Um empregado do passado numa taça nova
Um eternizador dos deuses do acaso
Alegria fervida com pano e lantejoula
O que seria, coração, o que seria?
O que seria da marreta sem a pedra?
O que seria, coração, o que seria?
O que seria da marreta sem a pedra?